sábado, 25 de fevereiro de 2012

Iansã – A deusa dos Ventos




    Iansã – A deusa dos Ventos  

O mais importante rio da Nigéria chama-se Níger, é imponente e atravessa todo o país. Rasgado, espalha-se pelas principais cidades através de seus afluentes, por esse motivo, tornou-se conhecido com o nome de Odò Oyá , já que Yá, em yoruba, significa rasgar, espalhar. Esse rio é a morada da mulher mais poderosa da África negra, a mãe dos nove Orùm ( Nove céus), dos nove filhos, do rio de nove braços, a mãe do nove, Ìyà Mésàm, Iansã (Yánsàn).

Embora seja saudada como a deusa do rio Níger, está relacionada diretamente com o elemento fogo. Na realidade, indica a união de elementos contraditórios, pois nasce da água e do fogo, da tempestade, de um raio que corta o céu no meio da chuva, é a filha do Fogo-Omo Iná.  A tempestade é o poder manifesto de Iansã, rainha dos raios, das ventanias, do tempo que se fecha sem chover.

Iansã é uma guerreira por vocação, sabe ir à luta e defender o que é seu, a batalha do dia-a-dia é a sua felicidade. Ela sabe conquistar, seja no fervor das guerras, seja na arte do amor. Mostra seu amor e a sua alegria contagiantes na mesma proporção que exterioriza sua raiva, seu ódio. Dessa forma, passou a indentificar-se muito mais com as características relacionadas ao homem, que são desenvolvidas fora do lar; portanto não aprecia os afazeres domésticos, rejeitando o papel feminino tradicional. Iansã é a mulher que acorda de manhã, beija os filhos e sai em busca do sustento.

O fato de estar relacionadas com funções tipicamente masculinas, não afasta de Iansã das características próprias de uma mulher sensual, fogosa, ardente; ela é extremamente feminina e seu número de paixões mostra a forte atração que sente pelo sexo oposto. Iansã (Oyá) teve muitos homens e verdadeiramente amou todos. Graças a seus amores, conquistou grandes poderes e tornou-se orixá.

Assim, Iansã tornou-se mulher de quase todos os orixás. Ela é arrebatadora, sensual e provocante, mas quando ama um homem só se interessa por ele, portanto é extremamente fiel e possessiva. Todavia, a fidelidade de Iansã não está exatamente ligada a um homem, mas às suas convicções e aos seus sentimentos.

Algumas das histórias de Iansã relacionam-na com antigos cultos agrários africanos ligados à fecundidade, e é por isso que a menção aos chifres de novilho ou búfalo, símbolos de virilidade, surgem sempre nas suas histórias. Iansã é a única que pode segurar os chifres de um búfalo, pois essa mulher cheia de encantos foi capaz de transforma-se em um búfalo e tornar-se mulher da guerra e da caça.

Oyá é a mulher que sai em busca do sustento. Ela quer um homem para amá-la não para sustentá-la. Desperta pronta para a guerra, para sua lida do dia-a-dia, não tem medo do batente: Luta e vence.

Como rainha, assim como Oxossi, carrega o ERUKERÊ (OU ERUXIN), no caso dela é feito com rabo de cavalo, que serve para comandar os eguns e encaminhá-los, impondo-os dessa forma o respeito. Carrega também, uma espada de cobre flamejante e um Abebè de palha (um abano) que simboliza seu domínio pelos ventos. Portanto, Iansã é, sem dúvida, a deusa mais temida e respeitada do panteão Afro-Brasileiro.  



Oyá / Iansã – A força dessa Deusa em nosso cotidiano.

Deusa da espada de fogo, dona das paixões, Iansã é a rainha dos raios, furacões, ciclones, tufões e vendavais. Orixá do fogo, guerreira e poderosa. Mãe dos Eguns (espíritos dos mortos)guia os desencarnados para um dos seus nove Orùns (céus), senhora dos cemitérios.

Não é muito difícil depararmo-nos com a força da natureza denominada Iansã (ou Oyá). Convivemos com ela diariamente. Pois, Iansã é o vento, a brisa que alivia o calor. Iansã também é o calor, a quentura, o abafamento. É o tremular dos panos, das árvores, dos cabelos. É a lavra vulcânica destruidora. Ela é o fogo, o incêndio, a devastação pelas chamas.

Oyá é o raio, a beleza deste fenômeno natural. Este é o seu poder. É a eletricidade. Iansã esta presente no ato simples de acendermos uma lâmpada ou uma vela. Ela é o choque elétrico, a energia que gera o raio, o funcionamento de eletrônicos. Iansã é a energia viva, pulsante e vibrante.

Sentimos Iansã no vento forte, no deslocamento dos objetos sem vida. Orixá da provocação e do ciúme, Oyá também é a Paixão pela vida. A paixão violenta, que corrói, que cria sentimentos de loucura, que cria o desejo de possuir à qualquer preço. Iansã é o desejo sexual, ardente, em chamas. É a volúpia, o clímax, o orgasmo do homem e da mulher. Ela é o desejo incontido, o sentimento mais forte que a razão. É ela quem faz nossos corações baterem mais forte, acelerado, e cria em nossas mentes os sentimentos mais profundos, ousados, abusados e desesperados. É o ciúme doentio, a inveja suave, o fascínio enlouquecido. É a paixão, propriamente dita.

Iansã é a disputa pelo ser amado. É a falta de medo das conseqüências de um ato impensado, no campo amoroso. É até mesmo a vontade de trair, de amar livremente. Iansã rege o amor forte, violento.
Oyá, é também a senhora que rege ou conduz os espíritos dos mortos, do eguns, como se diz no candomblé. É ela que servirá de guia, ao lado de Obauluaê, para aquele espírito que se desprendeu do corpo. É ela que indicará o caminho a ser percorrido pela aquela alma. Deusa do cemitério (Bàle), ela é a regente, juntamente com Omulú (Obaluaê), dos campos santos, pois comanda a falnge dos eguns. Comanda também a falange dos boiadeiros, espíritos encantados que são cultuados nas casas de nação Angola. Ela é sua rainha.

Igbás de Oyá 

Arquétipo dos filhos de Oyá




Para os filhos de Oyá, viver é uma grande aventura. Enfrentar os riscos e desafios da vida são os prazeres dessas pessoas, tudo para elas é festa. Escolhem seus caminhos mais por paixão do que por reflexão. Em vez de ficar em casa, vão à luta e conquistam o que desejam.

São pessoas atiradas, extrovertidas e diretas; que jamis escondem seus sentimentos, seja de felicidade, seja de tristeza. Entregam-se à súbitas paixões e, de repente, esquecem, partem para outra, e o antigo parceiro é como se nunca tivesse existido. Isso não é prova de promiscuidade, pelo contrário, são extremamente fiéis à pessoa que amam, mas só enquanto amam.

Estas pessoas tendem a ser autoritárias e possessivas, seu gênio muda repentinamente sem que ninguém esteja preparado para essas guinadas. Os relacionamentos longos só acontecem quando aprendem a controlar seus impulsos, aí, são capazes de viver para o resto da vida ao lado da mesma pessoa, que deve permitir que se tornem os “senhores” (as) da situação.

Os filhos de Oyá, na condição de amigos, revelam-se pessoas confiáveis, mas cuidado, os mais imprudentes, no entanto, não ousariam contar-lhe um segredo, pois como esses Omo-Orìsà (filhos do orixá) são vingativos, se mais tarde acontecer uma desavença, um filho de Oyá não pensará em usar tudo que lhe foi confidenciado como arma, se for preciso.

O seu comportamento pode ser explosivo, como uma tempestade, ou calmo, como uma brisa de fim de tarde. Só uma coisa o tira do sério: mexer com um filho seu é o mesmo que comprar uma briga de morte; batem em qualquer um, crescem no corpo e na raiva, matam se for necessário.





Oyá / Iansã – Qualidades do Orixá

Quando nos referimos a qualidade do orixá, o importante é não perder o foco que estamos falando de um único orixá, que é iniciado exclusivamente em um determinado Iyaô. Aquilo que chamamos de “qualidade”, na maioria dos casos tem a ver com a origem do seu culto na África. Quer dizer, que as diversas famílias ou tribos e nações que foram trazidas para o Brasil, conheciam todas essas qualidades, o mesmo orixá, mas em cada região tinham suas particularidades de culto, preceito e fundamentos diferentes.
Na maioria dos casos, essas qualidades se referem à características específicas dos orixás ou até mesmo de seu temperamento e, esses nomes, exaltam precisamente essas características. Muitas vezes os nomes referem-se à cidades ou lugares onde de determinado orixá foi difundido.

Portanto, cada orixá é único, ou seja, trará consigo o nome de origem mais a sua principal característica, e também “carregará” o nome de sua família ou tribo a qual pertence.  Ex: Ogum (Nome) Onire (significa que neste caso trata-se do rei da cidade de Ire) + o nome da família no qual ele pertence, ou foi iniciado.

Por: Marcelinhu D’Xangô.

Nkisi Mavanjú (Angola)



Qualidades de Iansã:

Oyá Petu: Ligada à Xangô e até confunde-se com ele. Oyá dos raios.Veste vermelho e branco.

Oyá Onira: Rainha da cidade de Ira, a doce guerreira ligada as águas de oxum, ogum. Veste Rosa.

Oyá Bagam: Oyá com fundamentos em Oxossi e Ossain. Rege o vento das matas.

Oyá Senó ou Sinsirá: Oyá raríssima ligada aos fundamentos de Yemonjá e Ayrá.

Oyá Tope: Mora no tempo, ligada à Oxum e a Exú. (alguns axés a tem como uma Igbalé)

Oyá Ijibé ou Ijibi: Veste branco, ligada a Oxalá e ao vento frio.

Oyá Kará: Veste-se de vermelho ligada a Xangô, ao fogo. Aquela que carrega o Ajerê fervendo na cabeça.
Oyá Leié: O vento dos pássaros, ligada a Ewá, veste-se de estampado.

Oyá Biniká: A senhora dos ventos quentes, ligada à Oxumaré e a Omulú.

Oyá Mavanjú : Nkisi Feminino, trata-se da própria Oyá na ANGOLA, porém também se tem por qualidade de Oyá – Representa a forte ventania, a força jovem e arrebatadora de Oyá. Veste-se de vermelho intenso ou marrom.

Oyá Logunere: Uma de suas formas Jovem. Tem fundamentos com Logunedé, representa Oyá da caça, ou a mais romântica.

Oyá Agangbelé: Forma mais velha, representa as piores tempestades. Tem fundamentos com Exú e Ogum.

Oyá Olodé: tem fundamentos com Oxossi na mata. Veste-se de vermelho e mariwó.

Oyá Tonin’bé: Tem fundamentos com Exú, representando os caminhos. Ligada ao fogo. Veste-se de vermelho e mariwò.

Oyá Fakarebó: Também ligada a Exú, é velha. Participa da cerimônia do Padê. Veste-se de vermelho. Não é feita em seus “eleitos”, pois é a verdadeira dona dos ebós. Seus rituais são todos feitos no morim e em cabaças.

Oyá Adagambará: Tem fundamentos com Oxossi, quando este entra na mata da morte. É velha. Veste-se de Marrom e mariwò.

Oyá Arirá: Uma de suas formas jovens também. Tem fundamentos com Aganjú, veste-se de vermelho e branco. Representa ventos intensos. E também ligada à paixões ardentes.

Oyá Iamesan: Ligação com Oxossi,foi sua esposa. É representada como um CENTAURO (Metade mulher, metade búfalo). Só come caça, é a mãe dos Nove filhos. É assentada no tempo junto à Oxossi. Veste-se de marrom.

Yatopé: Tem ligação forte com xangô, veste o branco. É jovem.

Oyá Kará ( Oyá do fogo)



Oyás de culto igbalè – Que possuem ligação direta com  Iku ( Morte):



Oyá Egunitá: Igbalé, a que vive com os mortos/eguns. Veste-se de branco e mariwò (palha do dendezeiro). Ligada a Oxalá, Nanã, e ao vento do Bambuzal.

Oyá Funan: Igbalé, é a oyá que encaminha os mortos/eguns. Veste-se de branco e mariwò; ligada a Oxalá, Nanã, Omulú e ao vento do bambuzal.

Oyá Padá: Igbalé, que ilumina o caminho dos mortos/eguns. Veste-se de branco e, também, é ligada a Oxalá, Omulú, Nanã e ao bambuzal.

Oyá tanan: Igbalé, que recebe os eguns no portal, veste-se de branco e mariwò, está ligada a Oxalá e Nanã e ao vento do bambuzal.

Oyá Leseyen: Igbalé, que representa o próprio balé. Tem fundamentos com Omulú.

Oyá Ate Oju: Igbalé, aspecto difícil de Oyá. Tem fundamentos com Nanã. Veste-se de branco. Muito vingativa.

Oyá Furé: Igbalé, seu culto é diretamente ligado à morte e aos eguns. Veste-se de branco e Mariwó, usa na mão esquerda uma foice e na outra o eruxin. Em suas vestes vão nove pequenas cabaças penduradas.

Teremos ainda vários outros nomes de Oyá que se confundem ou são os mesmos, títulos e qualidades diversas.



Igbás de Oyá Mesan Orum 





Base de pesquisa: Web e revista "Mistérios e Maravilhas de Planeta"- 
Por: Marcelinhu D'Xangô
















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